49,2% das companhias brasileiras não têm plano formal de sucessão.
O número não descreve empresas que decidiram não ter sucessão. Descreve empresas em que a decisão vai ser tomada de qualquer forma, mas no pior momento possível: com o relógio a correr, sem alternativa preparada e com o assunto já público.
Sucessão não é um evento, é um prazo que já começou
Toda posição de comando tem uma data de saída. Ela pode ser conhecida, como uma aposentadoria, ou desconhecida, como uma saída inesperada ou uma proposta de concorrente. O que muda não é se a saída acontece: é quanto tempo existe entre saber e precisar.
Um plano formal não elimina a saída. Ele transforma uma emergência numa escolha.
A sucessão é uma das decisões que só existe se tiver fórum e data. É a mesma mecânica do plano que tem rito de decisão: sem hora marcada, a conversa não vira documento.
Os três números que o relatório mede
49,2% das companhias sem plano formal de sucessao
45% dos conselhos apenas consultivos, sem poder de decisao
1/3 das organizacoes nunca avaliou o proprio conselho
Os dois últimos explicam parte do primeiro. A decisão de sucessão é uma das poucas que exige um fórum acima da diretoria. Quando esse fórum não decide, ou nunca foi avaliado, a decisão fica sem lugar para acontecer e volta ao dono, que é justamente quem está saindo.
Os dados de conselho vêm de um levantamento com empresas de capital fechado, três em cada quatro de controle familiar. Os de sucessão, de um estudo com companhias abertas e fechadas.
O que um plano formal tem, e o que não é
Não é uma lista de nomes numa gaveta.
a posicao ........... quais cargos exigem plano, e nao “a diretoria”
o criterio .......... o que a pessoa precisa saber fazer, escrito antes do nome
os candidatos ....... internos e externos, com a lacuna de cada um nomeada
o desenvolvimento ... o que cada candidato interno precisa viver para fechar a lacuna
o interino .......... quem segura amanhã, se for amanhã
a revisao ........... a data em que o conselho reabre o documento
O item do interino é o que separa um plano de uma intenção. Ele responde à única pergunta que a emergência faz.
A retenção é a outra metade
Um plano de sucessão que identifica três sucessores internos e não os retém identificou três pessoas para o concorrente. Talento que sai leva o plano com ele, e o custo aparece duas vezes: na vaga e no conhecimento.
Por isso as páginas 19 e 20 do relatório tratam sucessão e retenção juntas. São o mesmo assunto visto de dois lados.
Decidir enquanto ainda é escolha
A frase resume a prática: sucessão decidida enquanto ainda é escolha, e não emergência. É uma das quatro práticas que faltam onde os planos fracassam, ao lado de monitorar o mercado, ritos de gestão com cadência e conselho organizado.
As outras três e o rito de três velocidades estão no artigo sobre por que o planejamento estratégico perde validade antes do prazo.
