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Conteúdo19/10/2026

Tabela ANTT de frete mínimo: como calcular o piso

Tabela ANTT de frete mínimo: a fórmula do piso com exemplo, a calculadora da ANTT, quando a tabela muda pelo diesel e quando pedir reajuste.

José Manuel Barbosa

Estrategista e Founder, Sonar Labs

Tabela ANTT de frete mínimo: como calcular o piso

A tabela ANTT, ou tabela de frete mínimo da ANTT, é a tabela dos pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas, criada pela Lei 13.703/2018. O piso de uma viagem de carga lotação é a distância em quilômetros multiplicada pelo coeficiente de deslocamento (CCD), somada ao coeficiente de carga e descarga (CC), com os valores do tipo de carga e do número de eixos. Os coeficientes mudam quando o preço do diesel varia 5% ou mais e, pela lei, a cada semestre: por isso o cálculo precisa usar sempre a tabela vigente na data da contratação.

O que é a tabela de frete da ANTT

A Lei 13.703/2018 instituiu a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. O frete precisa ser pago em valor igual ou superior ao piso, e é proibido qualquer acordo, individual ou coletivo, para pagar abaixo dele (art. 4º). A metodologia e os coeficientes estão na Resolução ANTT nº 5.867/2020, com a revisão feita pela Resolução nº 6.076, de 19 de janeiro de 2026. Os reajustes saem por portaria da superintendência de cargas da ANTT.

A lei foi alterada pela Lei 15.485, de 5 de agosto de 2026, que tratou do registro prévio de cada operação no CIOT e endureceu as sanções para quem contrata abaixo do piso.

Para quais operações o piso vale

O piso se aplica ao transporte rodoviário de carga lotação: um único contrato, um único contratante, uso exclusivo da composição veicular entre uma origem e um destino, acobertado por um único conhecimento de transporte ou nota fiscal. A política não se aplica ao transporte de carga própria, aos contratos de TAC-agregado previstos na Lei 11.442/2007 e, salvo exceção prevista, ao transporte internacional.

Órgãos públicos, autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista também estão sujeitos à lei quando contratam frete.

Os tipos de carga e as quatro tabelas

A tabela tem 12 tipos de carga:

  1. Granel sólido
  2. Granel líquido
  3. Frigorificada ou aquecida
  4. Conteinerizada
  5. Carga geral
  6. Neogranel
  7. Perigosa (granel sólido)
  8. Perigosa (granel líquido)
  9. Perigosa (frigorificada ou aquecida)
  10. Perigosa (conteinerizada)
  11. Perigosa (carga geral)
  12. Carga granel pressurizada

E quatro tabelas, conforme o que se contrata:

| Tabela | Quando usar | |---|---| | A | Contratação da composição veicular ou do caminhão simples | | B | Contratação apenas da unidade de tração (o cavalo mecânico) | | C | Como a A, em operações de alto desempenho | | D | Como a B, em operações de alto desempenho |

As colunas são o número de eixos carregados: 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 9. Contam todos os eixos da composição, suspensos ou não. Se a composição tiver um número de eixos que a tabela não prevê, vale a coluna imediatamente inferior, ou a superior quando não houver inferior.

Como calcular o frete mínimo da ANTT: a fórmula e um exemplo

Piso = (d × CCD) + CC

  • d: distância entre origem e destino, em quilômetros, pelos endereços dos documentos fiscais ou de transporte;
  • CCD: coeficiente de custo de deslocamento, em reais por quilômetro;
  • CC: coeficiente de custo de carga e descarga, em reais por viagem.

Exemplo com a tabela em vigor desde 30 de setembro de 2026 (Portaria SUROC nº 22/2026, Tabela A): carga geral, composição de 5 eixos, viagem de 620 km.

  • CCD da carga geral, 5 eixos: R$ 6,8284 por km
  • CC da carga geral, 5 eixos: R$ 657,56

(620 × 6,8284) + 657,56 = 4.233,61 + 657,56 = R$ 4.891,17

Esses coeficientes valem até a próxima portaria. Antes de fechar o frete, confira o valor na calculadora oficial da ANTT (calculadorafrete.antt.gov.br), que pede o tipo de carga, os eixos, a distância e o tipo de contratação.

O que fica fora do piso

O piso cobre o custo de rodar e de carregar. Pela Resolução 5.867, não entram no cálculo e precisam ser negociados à parte: o lucro, as despesas de administração, os tributos e taxas. O pedágio também não entra, mas é obrigatório somá-lo ao piso, pago na forma da lei do vale-pedágio. O pagamento do retorno vazio é obrigatório no transporte de contêineres e em frotas dedicadas por razões sanitárias ou por certificações que limitam o produto transportado.

Por isso, o preço cobrado do embarcador precisa somar ao piso a margem, a administração e os tributos da transportadora.

Tabela ANTT atualizada: quando a tabela muda

  1. Gatilho do diesel. Quando o preço do diesel ao consumidor varia 5% ou mais, para cima ou para baixo, em relação ao preço usado na planilha, a ANTT publica o reajuste dos pisos em até três dias úteis da divulgação oficial da variação (Lei 13.703, art. 5º, § 3º). A referência é o preço médio do diesel S10 no Brasil, da pesquisa da ANP. Na última atualização, a Portaria SUROC nº 22/2026 usou R$ 7,33 por litro, média da semana de 20 a 26 de setembro de 2026.
  2. Atualização semestral. A ANTT publica até 20 de janeiro e até 20 de julho de cada ano a atualização dos pisos, com a planilha e a memória de cálculo, válida para o semestre (art. 5º, § 3º-A).
  3. Revisão da metodologia. Foi o que aconteceu em janeiro de 2026, com a Resolução 6.076: conceitos, tabelas e a categoria de alto desempenho.

Quando pedir reajuste ao embarcador

A transportadora vive entre dois valores: o que o embarcador paga a ela e o que ela paga ao autônomo que subcontrata, que também não pode ficar abaixo do piso. Desde 24 de maio de 2026, o sistema da ANTT não gera o CIOT quando o valor fica abaixo do piso (Portaria SUROC nº 6/2026). Quando a tabela sobe, o pagamento ao autônomo precisa acompanhar o piso novo, enquanto o contrato antigo com o embarcador continua no valor anterior até ser revisto.

Os momentos de pedir reajuste:

  1. Na publicação de uma portaria nova. Recalcule o piso de cada rota e compare com o que o contrato paga. Se o frete contratado ficou abaixo do piso novo, a lei obriga o ajuste até o piso; o que passar dele continua sujeito a negociação.
  2. Quando o diesel sobe semanas seguidas na pesquisa da ANP, mesmo antes do gatilho. Em contratos sem cláusula de diesel, o aumento do combustível sai da margem da transportadora até que o frete seja revisto.
  3. Na revisão semestral, com a planilha nova da ANTT.

Como pedir:

  1. Mande uma carta curta com a rota, o piso anterior, o piso novo e a portaria, e anexe a pesquisa da ANP.
  2. Proponha o aditivo com a data de vigência e uma cláusula que vincule o frete à tabela da ANTT e ao preço do diesel.
  3. Colha a assinatura do aditivo antes da próxima viagem.

Lembre o embarcador do risco dele: pela lei, quem paga abaixo do piso fica sujeito a indenizar o transportador em até duas vezes o valor do piso da operação, além das sanções da ANTT (art. 5º, § 4º).

O embarcador que atrasa

Além do valor do frete, o prazo de pagamento pesa no caixa da transportadora. A Lei 15.485 incluiu na Lei 13.703 um limite: o prazo de quitação do frete não pode passar de 30 dias úteis e precisa constar no CIOT (art. 7º, § 12), conforme a regulamentação da ANTT.

Alguns sinais de aperto do embarcador ficam públicos antes do atraso: inscrição na dívida ativa da União, recuperação judicial publicada, sanções. Quando um desses sinais surge em um cliente que pesa na receita, encurte o prazo ou peça garantia antes da próxima carga.

Como o Sonarview Monitor ajuda

O Sonarview Monitor acompanha a pesquisa semanal do diesel da ANP, a tabela do piso e as normas da ANTT, os contratos públicos de transporte e de locação, e os CNPJs dos embarcadores em dívida ativa, processos e sanções. O preço do diesel vem da pesquisa semanal da ANP, a referência que a ANTT usa no gatilho da tabela. Com o sinal, a carta de reajuste e o aditivo seguem pelo Sonarview Hub, pelo WhatsApp oficial e pelo e-mail, com a pesquisa da ANP anexa, e o aditivo volta assinado com validade jurídica.

Veja a página de transporte e frotas e a do Sonarview Monitor.

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Perguntas frequentes

Como calcular o frete mínimo da ANTT?

Multiplique a distância em quilômetros pelo coeficiente de deslocamento (CCD) e some o coeficiente de carga e descarga (CC), com os valores do tipo de carga e do número de eixos na tabela vigente. A calculadora oficial da ANTT faz a conta.

Onde consultar a tabela ANTT atualizada?

Na calculadora de fretes da ANTT (calculadorafrete.antt.gov.br) e nas portarias publicadas no ANTTlegis e no Diário Oficial da União. Até 05/10/2026, a última era a Portaria SUROC nº 22/2026, em vigor desde 30 de setembro.

Quando a tabela de frete da ANTT é reajustada?

Quando o preço do diesel varia 5% ou mais em relação ao usado na planilha, e na atualização semestral, até 20 de janeiro e até 20 de julho.

O piso mínimo vale para carga fracionada?

A metodologia da Resolução 5.867 se aplica à contratação de carga lotação: contrato único, uso exclusivo do veículo e um único documento fiscal ou de transporte.

O pedágio está incluído no piso?

Não. O pedágio é obrigatoriamente somado ao piso. Lucro, administração e tributos também ficam fora e são negociados.

O que acontece com quem paga abaixo do piso?

Fica sujeito a indenizar o transportador em até duas vezes o valor do piso da operação, além das multas e sanções da ANTT. E o CIOT não é gerado quando o valor fica abaixo do piso.

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